Receita de Ano Novo – Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,

Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997.
 


Calendário Escolar para o ano lectivo 2011/2012

Ensinos Básico e Secundário

Link: Calendário Escolar




Férias... liberdade... prazeres...

Ai que prazer
Não cumprir um dever,F. Pessoa
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
                                               

                         Fernando Pessoa

Boas férias! 



Visita ao Museu Ferroviário

No passado dia 15 de Março, fizemos mais uma visita com a equipa Tnet, desta vez ao Museu Ferroviário do Vale do Vouga. A ida fez-se pelo trajecto ferroviário e o regresso pelo rodoviário. Para além de nos ter possibilitado matar saudades de andar de comboio, numa era em que prevalece o conforto automóvel, pudemos ainda desfrutar de uma visita guiada ao Museu, onde se encontram as velhas, mas conservadas máquinas. Actualmente vivemos a um ritmo tão acelerado, que nem temos a percepção do nosso património histórico. O responsável pelo Museu, num emotivo e vivido discurso, foi-nos lembrando um passado muito recente da história dos nossos transportes. Parabéns pela dedicação, pois nos dias que correm poucos são os que ainda se prendem a pequenos nadas, pouco lucrativos.

Fotos em: http://www.tnet.com.pt/






E que tal uma leitura diferente?! 

Gostaria de partilhar uma publicação especial: o lançamento do primeiro livro do jovem aguedense e utilizador Tnet, João Lemos, intitulado “Estupor”. Trata-se de uma visão arrojada da questão da identidade e da forma como a sociedade a molda e manipula. No fundo, encontramos nestas páginas uma perspectiva alternativa e, de certa forma nua, do estrangulamento social do indivíduo. O leitor acompanha Otto, repentinamente “despido” da sua identidade, perdido e prisioneiro de um projector de memórias. Após um longo trajecto de combate desigual, ele acabará por obter a sua libertação “ não através do amor como pensou, mas através da guerra.”.A obra está disponível desde inícios do presente mês e pode ser adquirida em qualquer livraria, ou através da Internet, nos sites da editora “Edições Ecopy” ou do autor, http://www.joaolemos.tnet.com.pt/.






Associação AnimalOs animais são nossos amigos! E nós?

“A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo como os seus animais são tratados” (Gandhi)
Se nos detivermos um pouco sobre estas palavras e, de seguida, olharmos em redor, facilmente constataremos que somos uma nação muito pequenina. Embora o Verão já tenha terminado, e com ele as prolongadas férias de alguns, é fácil perceber que persistem ainda os vestígios desse desprendimento da rotina, nomeadamente pelos animais abandonados que encontramos aqui e ali. Vão sendo menos, é certo, mas não deveriam existir. Para além disso, terminaram também as campanhas publicitárias de sensibilização para este problema, logo, deixamos de nos lembrar que ele existe.
Infelizmente, essa nódoa continua no pano de Águeda. Felizmente, há pessoas sensíveis e caridosas que tentam minimizar o seu estrago,  com os mínimos recursos e a máxima boa vontade.
Dê uma vista de olhos e… surpreenda-se!

 
http://animaisagueda.googlepages.com/




Cabeço do VougaVisita ao Cabeço do Vouga

Em qualquer livro, um capítulo não faz sentido isolado dos precedentes ou dos seguintes. Assim somos nós, fruto de uma evolução, crias de uma História, essa magnífica viagem que talha culturas e molda tradições.
No passado sábado, juntamente com um pequeno, mas muito simpático grupo, dei um mergulho nesse passado. Visitámos a Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga e, conduzidos pelo Dr. Fernando, aprendemos um pouco sobre alguns dos capítulos que nos antecederam, nomeadamente o da Romanização.

Foi, sem dúvida, uma tarde para recordar!

Mais informações em www.tnet.com.pt
TNet claudia