Cantar a LIBERDADE
Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
(…)
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
(…)
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967
Estes são “retalhos” do poema de Manuel Alegre «Trova do Vento que Passa», bem ilustrativos da esperança de Liberdade que conduziria à luta pelo fim das trevas.
Conta-se(*) que numa noite, em plena Praça da República, em Coimbra, Manuel Alegre exprimia a sua revolta: «Mesmo na noite mais triste/ Em tempo de servidão/ Há sempre alguém que resiste/ Há sempre alguém que diz não». Então, Adriano Correia de Oliveira, amigo do poeta, terá dito «mesmo que não fiquem mais versos, esses versos vão durar para sempre». E ficaram. António Portugal compôs a música «E depois o poema surgiu naturalmente». Tinha nascido a Trova do vento que passa. Três dias depois vieram para Lisboa, para uma festa de recepção aos alunos na Faculdade de Medicina. Manuel Alegre fez um discurso emocionado, depois Adriano Correia de Oliveira cantou e quando acabou de cantar: «foi um delírio, teve de repetir três ou quatro vezes, depois cantou o Zeca, depois cantaram os dois. Saímos todos para a rua a cantar. A Trova do vento que passa passou a ser um hino».
(*)Eduardo M. Raposo, Cantores de Abril – Entrevistas a cantores e outros protagonistas do Canto de Intervenção, Lisboa, Edições Colibri, 2000.
A data que hoje assinalamos não é mais um dia no calendário, vulgar, rotineiro, é um dia carregado de memórias, imbuído de um espírito revolucionário, é a data que marca um povo, uma história de um passado e de um futuro, também passado do que ainda poderá vir a ser.
É por tudo isso que, trinta e seis anos volvidos, é imprescindível não esquecer Abril, é urgente ganhar a coragem de fazer vingar os valores defendidos naquela madrugada, é importante fazer justiça àqueles que ousaram avançar contra tudo e todos, para hoje podermos desfrutar do sabor da Liberdade.
25 de Abril de 1974, uma data que nos marcou e marcará, para sempre!
Chove. É dia de Natal
Chove. É dia de Natal
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho frio e Natal não.Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
Fernando Pessoa
Calendário Escolar para o ano lectivo 2009/2010
Ensinos Básico e Secundário
1º Período
Início – Entre 10 e 15 de Setembro.
Termo – 18 de Dezembro
2º Período
Início – 4 de Janeiro
Termo – 26 de Março
3º Período
Início – 12 de Abril
Termo – A partir de 8 de Junho, para os 9.º, 11.º e 12.º anos, e de 18 de Junho, para os restantes anos de escolaridade
Interrupções:
1ª - De 19 de Dezembro a 3 de Janeiro, inclusive
2ª - De 15 a 17 de Fevereiro, inclusive
3ª - De 27 de Março a 11 de Abril, inclusive
Férias... liberdade... prazeres...
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
Boas férias!
Visita ao Museu Ferroviário
No passado dia 15 de Março, fizemos mais uma visita com a equipa Tnet, desta vez ao Museu Ferroviário do Vale do Vouga. A ida fez-se pelo trajecto ferroviário e o regresso pelo rodoviário. Para além de nos ter possibilitado matar saudades de andar de comboio, numa era em que prevalece o conforto automóvel, pudemos ainda desfrutar de uma visita guiada ao Museu, onde se encontram as velhas, mas conservadas máquinas. Actualmente vivemos a um ritmo tão acelerado, que nem temos a percepção do nosso património histórico. O responsável pelo Museu, num emotivo e vivido discurso, foi-nos lembrando um passado muito recente da história dos nossos transportes. Parabéns pela dedicação, pois nos dias que correm poucos são os que ainda se prendem a pequenos nadas, pouco lucrativos.
Fotos em: http://www.tnet.com.pt/
E que tal uma leitura diferente?!
Gostaria de partilhar uma publicação especial: o lançamento do primeiro livro do jovem aguedense e utilizador Tnet, João Lemos, intitulado “Estupor”. Trata-se de uma visão arrojada da questão da identidade e da forma como a sociedade a molda e manipula. No fundo, encontramos nestas páginas uma perspectiva alternativa e, de certa forma nua, do estrangulamento social do indivíduo. O leitor acompanha Otto, repentinamente “despido” da sua identidade, perdido e prisioneiro de um projector de memórias. Após um longo trajecto de combate desigual, ele acabará por obter a sua libertação “ não através do amor como pensou, mas através da guerra.”.A obra está disponível desde inícios do presente mês e pode ser adquirida em qualquer livraria, ou através da Internet, nos sites da editora “Edições Ecopy” ou do autor, www.joaolemos.tnet.com.pt.
Os animais são nossos amigos! E nós?
“A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo como os seus animais são tratados” (Gandhi)
Se nos detivermos um pouco sobre estas palavras e, de seguida, olharmos em redor, facilmente constataremos que somos uma nação muito pequenina. Embora o Verão já tenha terminado, e com ele as prolongadas férias de alguns, é fácil perceber que persistem ainda os vestígios desse desprendimento da rotina, nomeadamente pelos animais abandonados que encontramos aqui e ali. Vão sendo menos, é certo, mas não deveriam existir. Para além disso, terminaram também as campanhas publicitárias de sensibilização para este problema, logo, deixamos de nos lembrar que ele existe.
Infelizmente, essa nódoa continua no pano de Águeda. Felizmente, há pessoas sensíveis e caridosas que tentam minimizar o seu estrago, com os mínimos recursos e a máxima boa vontade.
Dê uma vista de olhos e… surpreenda-se!
http://animaisagueda.googlepages.com/
Visita ao Cabeço do Vouga
Em qualquer livro, um capítulo não faz sentido isolado dos precedentes ou dos seguintes. Assim somos nós, fruto de uma evolução, crias de uma História, essa magnífica viagem que talha culturas e molda tradições.
No passado sábado, juntamente com um pequeno, mas muito simpático grupo, dei um mergulho nesse passado. Visitámos a Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga e, conduzidos pelo Dr. Fernando, aprendemos um pouco sobre alguns dos capítulos que nos antecederam, nomeadamente o da Romanização.
Foi, sem dúvida, uma tarde para recordar!
Mais informações em www.tnet.com.pt